Sábado, 11 de Agosto de 2007


Hoje caminhei só 5km de manhã, saí umas 9h30 de casa e não quis andar muito pra Chris não ficar esperando tanto. Foi uma caminhada legal também, fui pelo Green Valley e Via Parque, voltando pela Araguaia lá embaixo. Temperatura amena, apesar do sol, o caminho também foi bem tranquilo, quase sem carros, ainda por cima por ser no fim de semana… E na Via Parque foi legal, passou um cara fazendo uma corrida na direção contrária e ao me ver, perguntou: “Isso aí é treino pra Santiago de Compostela?” :) Respondi que sim, e ele passou mais devagar do meu lado, dando uma força, dizendo pra “ir em frente que é muito legal, fui em 2005 e foi ótimo!” Encontrar pessoas assim é bem legal, dá um ânimo na preparação mesmo, alto astral.

No almoço fomos no Kyoto com o Kiko, Adri, Daniel e Marquinho, fazer um petit-bota-fora pra mim com o pessoal de lá, pena que o Pedrinho estava no interior e não pode ir. Mas era por uma boa causa, foi pra casa da Mari, noiva dele. :)

De tarde eu e a Chris fomos a SP fazer as compras finais, acabamos indo na Mundo Terra de Pinheiros, foi muito bom. Já tinha ido na de Moema por indicação da Fabi, que viu que eles tem palestras sobre o Caminho do Sol etc, mas na de Pinheiros achei o atendimento ainda melhor. Acho que a loja é maior também, e o vendedor (Rogério) parecia manjar mais, faz escalada etc, então entendeu bem minhas questões sobre os produtos e ajudou com boas informações. Comprei meias coolmax da Adventure Gears por um preço muito bom (17 o par fino e 28 o grosso) e uma toalha Dry Tek, super leve. Também vimos uma barraca de camping em miniatura, que a Chris ficou alucinada pra comprar pro Paul hahaha :) Quem sabe?

Depois fomos na Decathlon e estava LOTAAAAAADA… ainda estava rolando um “saldão” deles, e tinha muita gente na loja do Morumbi. Mas foi bom, pq comprei a palmilha de silicone e um agasalho fleece super leve e quentinho, esse último foi só 59 “reaus”. Ótimo preço! O difícil foi provar as roupas de manga comprida com o raio do gesso na mão, mas deu tudo certo (rs).

À noite foi hora de fazer uma geral na bagagem, acabei esses dias meu packing list com todos os itens que preciso levar, e já conferi uns 70% até o momento. Amanhã é dia dos Pais, vamos almoçar com o meu avô Wilson e depois visitar meu pai, e aí devemos fazer as compras de farmácia, que basicamente é o que falta agora.

ROTEIRO DE HOJE:
Saí de casa passando pelo Alpha 2, depois até o Bradesco, e dali até o Green Valey; subi a rampa do condomínio empresarial, desci do outro lado e resolvi voltar pela Av. Via Parque, às margens do Tietê (apesar do fedor…). Fui até ela encontrar com a Araguaia e subi tudo, voltando pra casa pela Purus, por baixo do Centro Comercial.

Um dos insights que tive na caminhada de sexta foi sobre a impermanência das coisas. Esse é um dos preceitos, por exemplo, do Budismo, onde é bem ressaltado, que não devemos nos apegar a nada material, pois nada dura pra sempre. Mas andando pelos lugares bacanas que comentei no post anterior, fiquei pensando no poema que postei aqui no blog outro dia, e como a caminhada, e em especial o Caminho de Santiago, são uma metáfora legal para esse conceito.

cadeira vazia   - Foto de Flip Pizlo - achei no blog Troll Urbano (portugues)
Ao caminhar com um objetivo, um destino em mente, você se depara com algumas dificuldades, eventualmente, e com coisas legais também. Mas em qualquer um dos casos, você pode parar para aproveitar os bons momentos ou resolver as dificuldades, mas tem que continuar em frente, não pode parar, se “acomodar” naquele ponto ou lugar. Senão, deixa de ser um caminho, e você perde de vista seu objetivo inicial. E aí, claro, é uma questão de prioridades… não estou dizendo que nunca devemos mudar de idéia, mas dentro do conceito de caminhar para atingir um determinado ponto (seja ele físico/geográfico, na carreira ou na vida), você faz como no poema: olha para trás apenas para ver os lugares que nunca mais irá voltar, e faz o seu caminho a cada passo que você dá. O caminho não existe (metaforicamente falando, pelo menos) até você percorrê-lo de fato.

Achei que era pertinente escrever sobre isso, pois pelo menos pra mim pareceu um conceito bem forte para aprendizado, para introjetar nas atitudes do dia a dia: aproveitar bem o presente e resolver logo as dificuldades que estão no seu caminho para os seus objetivos, pois tudo é impermanente. Nada dura pra sempre, muito menos nós. Por isso é importante ter uma atitude positiva sobre a vida, reclamar menos, agradecer mais e fazer o que é necessário para continuar seu caminho. Lembrando também algo do meu avô Wilson, “Mensagem a Garcia” (em outro posto futuro eu conto a respeito!)

Isso tudo me levou a outros dois pensamentos, meio correlatos:

  • o 7o. hábito do Stephen Covey - Afinar o instrumento
  • Uma historinha zen sobre resolver problemas

Adiantando o carro aos bois, pensei nessas coisas pois pela primeira vez senti um pequeno desconforto no pé enquanto caminhava, e de imediato resolvi parar, como mandam as boas práticas dos peregrinos, para ver o que estava me incomodando e resolver a causa do desconforto, antes que se tornasse um estorvo maior e formasse uma bolha no meu pé, aí sim virando um problemão, pois ia comprometer a caminhada mais seriamente.

Para explicar melhor o que tudo isso tem a ver, segue abaixo a explicação sobre as coisas:

O sétimo hábito das pessoas altamente eficazes, segundo o Stephen Covey, para quem não conhece, é chamado de “Afine o Instrumento”. Aliás isso foi tema de um workshop muito legal que organizamos na Amil, quem sabe outro dia falo a respeito (eu gosto mesmo de falar/escrever, como vocês já sabem ou perceberam rs). A história que o ilustra é mais ou menos a seguinte (lembro do conceito, não do texto exato…):

Havia dois lenhadores que trabalhavam na mesma região, e um deles cortava muito mais árvores que o outro. Um dia, ambos se encontraram no caminho para o trabalho e, conversando, começaram a cortar árvores ao mesmo tempo. Passado algum tempo, o lenhador mais produtivo parou um pouco enquanto conversava com o companheiro e foi afiar seu machado. O outro respondeu: “não posso parar agora, estou muito ocupado cortando, tenho que trabalhar muito para poder cortar tantas árvores quanto você!”. E no fim do dia o mais produtivo, novamente, havia cortado mais árvores, pois seu machado era melhor afiado e por isso ele se cansava menos e cortava mais rápido que o outro, cujo machado ficava mais e mais cego, e tinha que fazer cada vez mais esforço para cortar as árvores.

MORAL DA HISTÓRIA: pare de vez em quando para reavaliar suas ferramentas e como você está fazendo as coisas. Você pode achar um jeito melhor de fazer seu trabalho, e sempre é importante pensar sobre SE e COMO você está atendendo aos seus objetivos.

A historinha zen é mais ou menos assim (na minha interpretação, também):

Dizem que havia um mestre muito sábio e respeitado em um vilarejo distante, que um dia precisou ir viajar para longe, e para isso precisaria escolher um de seus discípulos para assumir seu lugar na comunidade. Para isso, ele preparou um teste e chamou os melhores candidatos para resolvê-lo. Quem fosse bem sucedido assumiria seu lugar.

No dia marcado, cada discípulo que chegou encontrou uma pequena mesa, com um vaso em cima contendo água perfumada e uma flor. As palavras do mestre para cada um, apontando a mesa com o vaso e a flor, foram: “Aqui está o problema”.

O primeiro aluno trocou a água do vaso, pois argumentou que aquela água perfumada poderia fazer mal à flor. O mestre agradeceu e dispensou-o.

O segundo aluno trocou a mesa de lugar, pois pensou que a posição não tinha boa luz, e por isso a planta morreria. O mestre agradeceu e dispensou-o.

O terceiro aluno, ao ouvir o professor e refletir sobre o que havia visto e ouvido, sacou sua espada e, de um só golpe, partiu ao meio a mesa, o vaso e a flor. O mestre deu-lhe as boas vindas.”

MORAL DA HISTÓRIA: se algo É um problema, resolva-o. Acabe com o problema. (Lembrando que historinhas zen nem sempre são diretas e lineares na interpretação… tem gente que fala: ah, mas e aí, não é pra pensar sobre o problema? isso quer dizer que não devemos analisar antes de resolver? e por aí vai… deixo pra cada um fazer sua reflexão. O que interessa mesmo aqui é a moral explicada)

Juntando tudo, voltamos às recomendações para o Caminho. Andando 20 a 30km por dia, ninguém pode se dar ao luxo de deixar um probleminha ficar incomodando por muito tempo, senão corre o risco de não andar mais e pronto. Então, tem que parar e acabar com o problema, de imediato, cortar pela raíz; ou seja, afinar seu instrumento - no caso em pauta, os pés, mas são tantos que temos… Temos que tratá-los bem, para eles poderem nos ajudar ;)

(e isso vale não só para sua “capacidade produtiva”/ferramentas, mas também para as pessoas que estão ao redor… importante pensar nisso)

Por fim, dei uma viajada forte enquanto pensava nessa história de caminhar… elocubração das brabas! :) Está na mesma categoria do koala no teto do meu antigo quarto, que a Chris tanto reclama (rs), mas que também vou deixar pra explicar em outro post, senão vira livro.

Luke Skywalker - Luke Skywalker
É o seguinte: um pensamento puxa o outro, então pensava sobre andar, sobre o caminho que vou fazer, que é uma jornada de auto-conhecimento, aí pensei no Luke Skywalker, do Guerra na Estrela (porque ele “anda nas estrelas”, dããã), e fiquei pensando que Compostela vem, supostamente, de “campus stellae“, ou “campo estrelado”… coincidência? :) O fato é que com isso fiquei inspirado em toda a história do Luke no seu “caminho” para virar Jedi, como para ele foi uma iluminação, crescimento etc… enfim, só pensando alto mesmo, se for muito surreal, esqueçam tudo que eu escrevi (rs).

Mas o Fabrício, se ler este post, vai até ficar orgulhoso de mim (hehehe).

OBS.: Para quem não conhece, ele é presidente do Conselho Jedi de SP, fã-clube do Star Wars ;)

Ontem, como mencionei no post anterior, caminhei 12km com a mochila nas costas, até mais pesada do que eu imaginava (só pesei depois). Mas foi um treino perfeito: o terreno, o visual, o astral, o esforço etc. Primeiro que foi o mais extenso até hoje, e também teve bastante subida e descida, então foi uma ótima prévia para os trechos do Caminho.

Fui na direção dos Tamborés/Unip e do Alphasítio, e de lá ao invés de voltar pelo mesmo caminho, resolvi dar a volta por trás, pra chegar pelo Mackenzie e Alpha Zero de volta à “civilização” :) O mais legal foi apreciar um novo ponto de vista e “conhecer” aspectos diferentes do lugar onde a gente mora. O caminho que fiz, todas as partes dele, estou careca de fazer de carro a todo momento, mas fazendo a pé, devagar, observando de outros ângulos os pontos por onde passei, foi uma redescoberta. E vou dizer, passei por lugares MUITO legais, ao lado do trânsito frenético dos carros e da distração cotidiana enquanto buscamos chegar rápido aos lugares.

Por exemplo, na av. Alphaville, fui andando pela grama, um pouco distante da calçada da avenida, encostado no muro dos Tamborés (2 e 3). Estava ventando bastante e foi muito legal ver as folhas chiando e raspando com o vento, o sol entre os galhos, a relativa tranquilidade daquela rota… depois, ao entrar na avenida do Alphasítio, passei em baixo da Unip, por uma calçada toda poeirenta, onde a terra seca fazia pequenos “rodamoinhos”, voando pela rua. Esse visual e astral já funcionaram meio que como “prévia” dos lugares do caminho, por tudo que já li e vi em fotos, sites, livros, relatos etc, então foi uma experiência realmente boa.

Logo Reserva Biológica TamboréDepois ainda caminhei pela pista contrária que vai dali para a rotatória dos Tamborés e, mais adiante, ao lado da Reserva Biológica Tamboré, onde o clima foi só melhorando, muitas árvores, passarinhos, cada vez menos carros passando… até acabei desligando o ipod e só curtindo os sons do caminho. As pernas sentiram a caminhada um pouco, por ter sido a mais longa/puxada até agora, mas a cabeça agradeceu muito. Foi uma caminhada mais de instrospecção, como deve mesmo acontecer a partir do dia 20 (é quando começo efetivamente o Caminho, a partir de Saint Jean Pied-de-Port).

E também foi uma pedreira, pois depois de completar 10km, estava chegando embaixo do Alpha 0, perto da rotatória do Mackenzie, e dali pra frente era só subida, no meio do sol que estava fazendo (uns 30 graus), com pouco vento… daí vem a queda no gráfico da minha caminhada mais acima rs. Quando cheguei na portaria do Zero, vi um ponto de ônibus que foi salvador: parei ali, afrouxei um pouco as botas, tirei a mochila das costas, bebi uma água e descansei 5 minutos para poder fazer melhor o “ataque” final da caminhada. Depois dessa, sinto-me bem preparado para o que virá no Caminho, pelo menos fazendo trechos de 10 a 15km e dando umas paradas sei que vou dar conta legal.

Tive alguns insights interessantes, que vou tratar em outros posts, mas no fim da caminhada de hoje, passei por um encontro bem besta: já chegando no centro novamente, estava morrendo de sede e quis ir ao Mambo comprar uma garrafona de água de côco para me hidratar. Quase na porta do supermercado, vejo duas moças caminhando na minha direçao e fofocando sobre “os salgadinhos da festa da fulana, que estavam meio ruins, você não achou? etc…”, pelo que ouvi de “relance”. Aí, ao chegar quase do meu lado, uma delas para a fofoca literalmente no meio da frase, olha bem pra minha cara e diz pra outra: “Mas como o ser humano é rídiculo, né?”.

Pois é, como diria meu pai, Deus tá vendo… :) rs Questão de ponto de vista.

Tudo bem, eu admito que meu figurino é meio engraçado, de mochila cargueira nas costas e cajado na mão no meio de Alphaville, mas sei lá… achei um comentário tão forte, tão ostensivo para o caso, que fiquei até surpreso. Mas de qualquer jeito, não dei muita bola - apenas guardei na cabeça para comentar aqui no blog, e fazer como ensinam na meditação: quando o pensamento vem (no caso, uma certa indignação com o comentário!), “ouça-o”, observe o que ele quer dizer, e depois deixe ele ir embora. A cabeça já tem muita coisa pra pensar, muito mais importante… ;)

O importante é: KEEP WALKING!

ROTEIRO DE HOJE:
Saí pela Av. Alphaville, passei pelo “vale” de divisa entre Barueri e Santana de Parnaíba, fui margeando o Tamboré 2 e o 3, entrei na Av. Marcos Penteado de Ulhôa Rodrigues, subi até a pracinha do Alphasítio, parei pra “cheirar as rosas” (rs), continuei pela mesma “margem” da avenida até a rotatória grande do Tamboré 6, dali subi pela outra avenida que vai pro Mackenzie, subi em direção ao Alpha Zero e contornei ele e o ATC, voltando pela Mamoré.