Sáb 11 Ago 2007
Um dos insights que tive na caminhada de sexta foi sobre a impermanência das coisas. Esse é um dos preceitos, por exemplo, do Budismo, onde é bem ressaltado, que não devemos nos apegar a nada material, pois nada dura pra sempre. Mas andando pelos lugares bacanas que comentei no post anterior, fiquei pensando no poema que postei aqui no blog outro dia, e como a caminhada, e em especial o Caminho de Santiago, são uma metáfora legal para esse conceito.
Ao caminhar com um objetivo, um destino em mente, você se depara com algumas dificuldades, eventualmente, e com coisas legais também. Mas em qualquer um dos casos, você pode parar para aproveitar os bons momentos ou resolver as dificuldades, mas tem que continuar em frente, não pode parar, se “acomodar” naquele ponto ou lugar. Senão, deixa de ser um caminho, e você perde de vista seu objetivo inicial. E aí, claro, é uma questão de prioridades… não estou dizendo que nunca devemos mudar de idéia, mas dentro do conceito de caminhar para atingir um determinado ponto (seja ele físico/geográfico, na carreira ou na vida), você faz como no poema: olha para trás apenas para ver os lugares que nunca mais irá voltar, e faz o seu caminho a cada passo que você dá. O caminho não existe (metaforicamente falando, pelo menos) até você percorrê-lo de fato.Achei que era pertinente escrever sobre isso, pois pelo menos pra mim pareceu um conceito bem forte para aprendizado, para introjetar nas atitudes do dia a dia: aproveitar bem o presente e resolver logo as dificuldades que estão no seu caminho para os seus objetivos, pois tudo é impermanente. Nada dura pra sempre, muito menos nós. Por isso é importante ter uma atitude positiva sobre a vida, reclamar menos, agradecer mais e fazer o que é necessário para continuar seu caminho. Lembrando também algo do meu avô Wilson, “Mensagem a Garcia” (em outro posto futuro eu conto a respeito!)
Isso tudo me levou a outros dois pensamentos, meio correlatos:
- o 7o. hábito do Stephen Covey - Afinar o instrumento
- Uma historinha zen sobre resolver problemas
Adiantando o carro aos bois, pensei nessas coisas pois pela primeira vez senti um pequeno desconforto no pé enquanto caminhava, e de imediato resolvi parar, como mandam as boas práticas dos peregrinos, para ver o que estava me incomodando e resolver a causa do desconforto, antes que se tornasse um estorvo maior e formasse uma bolha no meu pé, aí sim virando um problemão, pois ia comprometer a caminhada mais seriamente.
Para explicar melhor o que tudo isso tem a ver, segue abaixo a explicação sobre as coisas:
O sétimo hábito das pessoas altamente eficazes, segundo o Stephen Covey, para quem não conhece, é chamado de “Afine o Instrumento”. Aliás isso foi tema de um workshop muito legal que organizamos na Amil, quem sabe outro dia falo a respeito (eu gosto mesmo de falar/escrever, como vocês já sabem ou perceberam rs). A história que o ilustra é mais ou menos a seguinte (lembro do conceito, não do texto exato…):
Havia dois lenhadores que trabalhavam na mesma região, e um deles cortava muito mais árvores que o outro. Um dia, ambos se encontraram no caminho para o trabalho e, conversando, começaram a cortar árvores ao mesmo tempo. Passado algum tempo, o lenhador mais produtivo parou um pouco enquanto conversava com o companheiro e foi afiar seu machado. O outro respondeu: “não posso parar agora, estou muito ocupado cortando, tenho que trabalhar muito para poder cortar tantas árvores quanto você!”. E no fim do dia o mais produtivo, novamente, havia cortado mais árvores, pois seu machado era melhor afiado e por isso ele se cansava menos e cortava mais rápido que o outro, cujo machado ficava mais e mais cego, e tinha que fazer cada vez mais esforço para cortar as árvores.
MORAL DA HISTÓRIA: pare de vez em quando para reavaliar suas ferramentas e como você está fazendo as coisas. Você pode achar um jeito melhor de fazer seu trabalho, e sempre é importante pensar sobre SE e COMO você está atendendo aos seus objetivos.
A historinha zen é mais ou menos assim (na minha interpretação, também):
Dizem que havia um mestre muito sábio e respeitado em um vilarejo distante, que um dia precisou ir viajar para longe, e para isso precisaria escolher um de seus discípulos para assumir seu lugar na comunidade. Para isso, ele preparou um teste e chamou os melhores candidatos para resolvê-lo. Quem fosse bem sucedido assumiria seu lugar.
No dia marcado, cada discípulo que chegou encontrou uma pequena mesa, com um vaso em cima contendo água perfumada e uma flor. As palavras do mestre para cada um, apontando a mesa com o vaso e a flor, foram: “Aqui está o problema”.
O primeiro aluno trocou a água do vaso, pois argumentou que aquela água perfumada poderia fazer mal à flor. O mestre agradeceu e dispensou-o.
O segundo aluno trocou a mesa de lugar, pois pensou que a posição não tinha boa luz, e por isso a planta morreria. O mestre agradeceu e dispensou-o.
O terceiro aluno, ao ouvir o professor e refletir sobre o que havia visto e ouvido, sacou sua espada e, de um só golpe, partiu ao meio a mesa, o vaso e a flor. O mestre deu-lhe as boas vindas.”
MORAL DA HISTÓRIA: se algo É um problema, resolva-o. Acabe com o problema. (Lembrando que historinhas zen nem sempre são diretas e lineares na interpretação… tem gente que fala: ah, mas e aí, não é pra pensar sobre o problema? isso quer dizer que não devemos analisar antes de resolver? e por aí vai… deixo pra cada um fazer sua reflexão. O que interessa mesmo aqui é a moral explicada)
Juntando tudo, voltamos às recomendações para o Caminho. Andando 20 a 30km por dia, ninguém pode se dar ao luxo de deixar um probleminha ficar incomodando por muito tempo, senão corre o risco de não andar mais e pronto. Então, tem que parar e acabar com o problema, de imediato, cortar pela raíz; ou seja, afinar seu instrumento - no caso em pauta, os pés, mas são tantos que temos… Temos que tratá-los bem, para eles poderem nos ajudar
(e isso vale não só para sua “capacidade produtiva”/ferramentas, mas também para as pessoas que estão ao redor… importante pensar nisso)
Por fim, dei uma viajada forte enquanto pensava nessa história de caminhar… elocubração das brabas!
Está na mesma categoria do koala no teto do meu antigo quarto, que a Chris tanto reclama (rs), mas que também vou deixar pra explicar em outro post, senão vira livro.
Mas o Fabrício, se ler este post, vai até ficar orgulhoso de mim (hehehe).
OBS.: Para quem não conhece, ele é presidente do Conselho Jedi de SP, fã-clube do Star Wars
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Agosto 14th, 2007 at 18:42
Oi filhão, estou amando os seus relatos, as suas experiências, percepções, os puntos de vista, enfim, acho que essa sua experiência está sendo tão enriquecedora!!! para você, por vivenciá-la e para nós, leitores, compartilhá-la com você e que nos leva a profundas reflexões….
Quanto ao Koala no teto do seu antigo quarto, ele está mais vivo do que nunca, ainda mais que recentemente troquei as lâmpadas e todas com a mesma potência, ele ficou perfeito!!!!! mandei foto por e-mail.
Beijos e continue nos dando o prazer de compartilhar das suas considerações
Com amor,
Mamis