Agora nao lembro de cabeca se as distancias sao exatamente essas, mas sao aproximadamente por ai. O que importa mais é que já passei para menos de 600km faltantes, o que significa que andei já uns 190km, pelo que vi em alguma placa por aqui! Da próxima vez que eu quiser ir pra Maresias, posso voltar andando… Sim, voltar, pq a comparacao seria mais apropriada, com o tanto de montanha que subimos por aqui já.

Bem, a Chris tem dado as notícias a vocês, pelo blog etc, entao todos estao mais ou menos a par dos progressos, mas hoje foi uma etapa mais fácil - você é definitivamente um peregrino quando acha fácil andar “só” 22km num dia. E por isso cheguei aqui bem cedo, deu tempo de comprar frutas, descansar, tomar banho, arrumar mochila etc E AINDA ter um tempinho bom e barato de internet! Isso é uma raridade ultimamente, nos albergues é geralmente la ostia de lento e custa caro, nao dá pra baixar fotos etc… O downside é ouvir agora uma versao bizarra em espanhol de “Flor de Lis” do Djavan! :) rs

Estou aqui em Santo Domingo de la Calzada, un pueblo muy chulo, como se diz por aqui. O tal santo Domingo foi um grande benfeitor do caminho há séculos atrás e a cidade é pequena mas bem organizada, muito bonitinha. E o chulo é engracado, pois a primeira vez que ouvi, achei que era uma porcaria… pelo menos em portugês algo chulo seria uma lástima :)

A etapa de ontem foi muito dura, com 30km de caminhada sob um sol ferrenho, os pés doendo, as ampollas (bolhas) incomodando mais a cada minuto. Mas deu pra ir relativamente bem depois de fazer uma grande parada em Ventosa, depois de 20km, pra comer, tirar as botas, descansar etc… e fiz mais paradas depois por conta do sol, fui ontem junto com o Henrik, o ROberto saiu mais na frente. Parei numa fonte no meio do caminho e tomei um banho de água pra ficar com a roupa molhada e ajudar a aguentar o calor desgracado. Cheguei a Najera por volta das 18h, e a cidade é muito bonita. Foi a antiga capital de La Rioja, depois que os muculmanos destruiram Pamplona, entre os séculos X e XI, creio. E depois Logroño se tornou capital, já no século XIX.

Lá foi ótimo, pois havia um parque municipal com piscinas bem em frente ao albergue, do outro lado do rio. A água bem gelada, do rio, alimentava as piscinas, e foi ótima para os pés e todo o corpo, cansados. Fazia um calor da peste dentro do albergue, mas tudo bem. Pelo menos os hospitaleros eram muito gente fina - Brett, de NY, que já fez o caminho há 3 anos e agora passa 6 meses na Europa vivendo como hospitaleiro em albergues para ter casa de graca, e uma mulher do Hawaii (!!).

Para chegar a Nájera foi difícil nos último skm, mas foi bem legal quando chegamos à entrada da cidade, pois encontramos os italianos (Isaac e Pier Paolo) junto com um cara figuraca, o Legionário (ele foi realmente da Legiao Espanhola ou algo assim, e é um alucinado para andar). Esse cara estava esperando peregrinos copm garrafinhas de água gelada, foi fantástico tomar essa água depois de tanto “chá” no meio do caminho - temperatura de 37 graus mais ou menos, fazendo a água esquentar demais nas garrafas… pelo menos agora estou usando uma garrafa isotérmica que ajuda a manter um pouco mais fresca durante essas travessias calorentas. Deu as garrafas de água para nós, palavras de incentivo e andou até a ponte de entrada ao nosso lado falando “Fuerza peregrinos!” :)

Bom, creio de relatos de viagem, por enquanto é só… acabou passando tempo desde o último relato em Pamplona, entao nao lembro de tudo de cabeca agora, mas já deu pra ter uma nocao rs.

Um grande abraco peregrino a todos e um beijo com muito amor para minha mulher amada,
Gui