Domingo, 9 de Setembro de 2007


Mais 32 km, mesmas bolhas de sempre, e eu cumpro o meu papel de dar a posição do dia - mas, pelo horário, não me parece que o Gui apareça mais na web por hoje. Ele tinha dito que no albergue tinha somente um PC, e que estava meio cheio…

As imagens falam? Ainda bem que não!!!

Hoje vamos rechear o comentário com as imagens enviadas pelo nosso correspondente do caminho de Santiago – Guilherme, o peregrino blogaláctico (parodiando o Real Madrid dos sonhos de alguns).

As imagens falam por si (bah!,.. que lugar comum). E por isso elas devem estar pedindo ansiosamente pela mudança nos nomes. Por favor, senhor… algumas de nós merecem nomes menos descritivos e mais sensoriais. Nós não vamos servir de ilustração do Jornal Nacional…

O que um blog tão bonitinho e bem comentado (modéstia a parte… por mim e pelos outros comentaristas que agora assumimos o nosso papel de co-autoria) faz com imagens tão assepticamente nomeadas? No início dos comentários eu deixei claro que não ia ser o bonzinho…

Vejamos uns exemplos: a foto nomeada de árvore frondosa mereceu um comentário ao pé da página muito bom, ouvimos o farfalhar da folhas e os lamentos da natureza pelos peregrinos que passam e elas ficam. Ser imutável deve ser um saco. E o som lembrava o que de agradável… transmita para nós no nome que vai ficar. Merece um nome mais forte! Já por outro lado, belo título a sua do tamanho daquilo que vejo.

Mais de ti em cada imagem. O que elas serão no futuro… sensação apenas visual ou lembranças de vivências. Eia, calque nomes inconscientes… o que vem no momento… o que elas trouxeram à tona. Depois a descrição e a imagem realmente falam por si. O nome fala por ti e por nós. A imagem assume o sentido do que se quer transmitir.

E nós comentaristas vamos renomeá-las de acordo com o que sentimos. Assim, com as vivências conjuntas e ampliadas, elas assumirão a dimensão de janelas d’alma (isso ficou pra lá de bacana – gíria antiga meu…).

Quanto aos vídeos…. Bem, acho que além do treinamento de caminhada tu podias ter feito um estágio com o pessoal do Dogma 95 – o Lars e sua troupe. Uma câmera na mão não está parecendo o teu forte. Mas como mostra sincera de um momento são muito bons. Valem pelos gritos, sussurros e gemidos… estes fantásticos… de uma realidade plena. As, as saídas, saídas dos locais, locais que não entendemos devem ter sido supimpas…

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O peregrino cibernauta.

É isso aí Guilherme. A diferença toda da peregrinação atual está na responsabilidade da participação. Desde a Idade Média fazer o caminho era um exercício de reflexão e um desafio pessoal.

Isso mudou, véio! (como diz a nova geração)
ou everything must change, nothing and no one remains the same (como dizia a nossa amiga Nina Simone).

Agora o compromisso é muito maior. Hoje as competências, habilidades e atitudes dos peregrinos são outras. A exigência da conectividade faz com que a introspecção seja apenas uma parte da tarefa. A outra é interagir com o mundo, peregrinando. A cada passo o mundo muda. E já não basta individualmente saboreares as glórias. Já não basta tu fazeres o caminho por ti. O fazes por outros. Por todos os que te acompanham.

Parodiando os conceitos empresariais do momento – existem líder e liderados. Neste contexto os liderados querem que sejas os olhos, os pés e também a cabeça. E precisam, constantemente, saber como eles estão. Precisam vibrar com o caminho. O compromisso assumido agora é que o peregrino se multiplique por vários e que a ação resultante se difunda entre os que ficaram. Este é o milagre da peregrinação moderna… o compartilhamento dos efeitos. Em poucas situações permanece o eu. Todos os que quiserem podem sentir o desafio, vibrar com as conquistas, sofrer com os percalços e triunfar contigo. E os que não quiserem? Bem, … que morram de inveja, quando chegarmos a Santiago!

Então surge a pergunta que não quer calar: que espécie de líder queres ser? Esta é uma oportunidade única de vivenciar esta dúvida. Ou de tentares várias formas até achar e construíres a tua. Sem o compromisso de acertar a resposta. Naturalmente, saberás qual é a correta.

No próximo comentário, as fotos e vídeos.

Caro Guilherme (só no próximo comentário posso escrever Gui, pois ainda não tenho intimidade. É, eu ainda assino - amigo da Chris.

Agora que já tive até elogios num post acho que posso gozar os meus quinze minutos de fama, calmamente. Merecidos, diga-se de passagem (cara deu um trabalhão fazer aquele texto). Não sei se tu sabes, mas é muito bom pegar carona na fama de alguém que a gente não conhece bem. Não traz compromisso.

Por isso resolvi, definitivamente, sair de trás do computador. Bem feito, como dizia a minha amiga raposa: tu és eternamente responsável pelo que cativas… e também pelo que incitas. Bom agora que vou virar um comentarista de mão cheia – o Paulo Francis ou Diogo Mainardi do blog acho que devemos colocar uns pontos nos iiiii.

Primeiro, saibas que passo a ter um contrato de exclusividade (não hei de comentar outros blogs de peregrinos, até a sua volta). Mesmo porque não tenho paciência para procurá-los.

Segundo, nada de comentários apenas elogiosos, Não sou torcida… sou comentarista.

Terceiro vamos colocar umas pitadas construtivistas no blog (que me perdoem Piaget e Maria Montessori), porém antes do racional e generalizado estamos interessado no emocional e vivenciado. Mais que a descrição do por do sol, da estrada, das bolhas, das piscinas… vale como ficou o Guilherme depois. Sim, o prêmio maior do concurso Psiche for ever vai pra o Gulherme – acabaste de ganhar um alterinconsciente… nem Freud, Jung e Melanie tiveram tal regalia. Bom proveito. E ele já vem ativado, nem precisa incluir código de ativação.

Quarto e último, vamos comentar mais o produto da aventura. Gente mais comentários sobre as fotos e vídeos. Os meus ficam para o próximo.

Licença para assinar – amigo do Gui