Sim, hoje andei 39 km no total e estou ótimo, saindo de Santa Catalina de Somoza e chegando a Molinaseca, uma cidade nem tao pequena e muito encantadora, antes de Ponferrada. Esta próxima vou visitar amanha pois tem um Castelo Templário no qual estou muito interessado.

Íamos andar 28km hoje, até El Acebo, após cruzar a Cruz de Hierro no Monte Irago, mas o albergue lá nao tinha cozinha e o menu del peregrino já deu no saco faz tempo… Entao resolvemos seguir até o próximo pueblo, Riegos de Ambrós, apenas uns 4,5km mais (1h de caminhada), que havia lido que o albergue tinha cozinha, e havia uma mercearia para os mantimentos. Chegando lá, nao tinha nenhuma mercearia, acho que fechou, entao nao adiantava de nada a cozinha… nao gostamos muito da cara do lugar tb. No fim das contas nos perdemos de Anne Claire e Jacinthe, que andaram conosco hoje de novo, mas acho que acabaram ficando em El Acebo sem vermos. Enfim, aí vimos que Molinaseca levava apenas mais uns 45 minutos de caminhada (3,7km), e decidimos tirar até aqui.

A idéia foi ótima, pois além do lugar ser muito maior e bem provido, é muito bonito, e encaramos hoje a tarde um trecho de descida BRABA que seria bem chatinho de fazer pela manha com pouca luz. E ao mesmo tempo, foi um trecho mágico, uma parte que parecia uma floresta encantada, digna das histórias do Senhor dos Anéis, com grandes carvalhos parecendo Ents, bosques frescos e sombreados, depois trilhas pedregosas numa encosta de montanha… Todo o dia hoje foi fenomenal.

E apesar da bolha no calcanhar por vezes me incomodar muito, sinto-me muito bem, mesmo com toda a caminhada. Hoje a subida do Monte Irago foi tranquila, apesar de ser o ponto mais alto do Caminho Francês, a terra mais perto do céu entre os dois santos, Joao e Tiago :) (St. Jean e Santiago…), era também o aclive mais condescendente com os peregrinos, com um perfil bem suave para subir. Cansa, mas nada de mais, nem de perto comparado com os Pirineus ou, pelo que já ouvi, com O Cebreiro. E aqui, o pior é descer. A bajada é que nos mata. No Caminho, pra baixo todo santo só ajuda a judiar do seu joelho. Mas a vista da subida e do alto era fenomenal, assim como a trilha do Caminho, bem diferente de todas as que já passamos, e durante o dia foi mudando também a cada trecho, como já mencionei sobre a “floresta mágica” etc.

Cheguei em Foncebadón e parei pra curar minha bolha, dar uma drenada, descansar comer etc, e aí fui um pouco melhor, preparado pra acabar a subida.

Tinha uma certa expectativa com a Cruz de Hierro, até pelo comentário do Marco Aurélio aqui no blog, e só fui ve-la quando já estava bem perto, devo confessar que fiquei meio decepcionado com o tamanho dela. Mas depois de deixar uma pedra e fazer um pedido por lá, parar mais um pouquinho e descansar conversando com AC e Jacinthe que encontramos por lá, segui muito bem, como la ostia, como diria nosso amigo peregrino Roberto. Logo pensei que a tal da Cruz estava me surpreendendo rs. Mas podia também ser o efeito da paisagem linda ou do Tylenol que tomei meia hora antes em Foncebadón, quem sabe. Prefiro acreditar em todos juntos. :)

O fato é que a segunda parte de caminhada foi muito bem, melhor até que a da manha. E no fim, com as paisagens tao diferentes, foi um dia perfeito. Em El Acebo parei novamente para curar a bolha, secar os pés e descansar e comer um pouco, e novamente estava pronto para mais 5 ou 10km de caminhada. O corpo já se acostumou, como disse Anne Claire em seu blog, viramos aqui uma “máquina de andar”.

Bem, vi todos os emails e comentários, posso dizer que agora faltam relativamente poucos dias para o fim do mes, quando estarei de volta, aos que aguardam por mim, e que sim, estou praticando de uma maneira ou de outra as 7 leis espirituais do sucesso.

Quanto ao meu nobre comentarista, o primeiro que posso dizer é: eu, ou o blog, ou ambos, estamos ficando importantes!! Agora aqui é que nem horário nobre do futebol, formula 1 etc, tenho meu próprio comentarista rsrsrs. :)

E uma réplica mais ou menos breve a uma parte dos comentários: acho que nos tempos ancestrais, a peregrinacao era sim introspectiva e voltada para o indivíduo; porém, sempre teve um caráter gregário, e essas rotas só se tornaram famosas pois se falava muito das histórias passadas nelas, quando se voltava. Entao acho que o primeiro ponto é que a peregrinacao sempre teve um viés de compartilhamento de histórias e aprendizados, de lendas e filosofias. Hoje em dia só mudamos o tempo e o meio como isso acontece: online e real time.

E isso nos leva ao segundo ponto que já queria replicar :) , que é sobre descrever as sensacoes nas fotos. Eu acho que voce tem razao mesmo, e algumas merecem uma descricao mais emocional que sensorial. Mas nao muito, pois afinal, já falo bastante aqui no blog, e se eu descrever muito mais, no fim da minha viagem, nao vai sobrar muito para reunir os amigos em volta da fogueira e contar as histórias de viagem, como fazem os peregrinos desde tempos ancestrais, entao tenho que me reservar um pouco de surpresas para contar pessoalmente a voces ;)

Talvez nao em volta da fogueira por enquanto, pois seria um problema no apartamento, mas em volta de um bom jantar, vendo fotos e relembrando todas essas sensacoes e emocoes, e contando a todos voces ali ao vivo, para voces realmente sentirem junto comigo tudo isso novamente!

Um abraco peregrino a todos
Gui

EM TEMPO: Amigo, JÁ posso dizer que está valendo a pena, e muito! ;)