Setembro de 2007


Aguardem mais notícias dele aqui ao longo do dia, ou mais tarde eu falo mais um pouco! Mas ele está lá, está bem, está feliz…

Confiram no Flickr, link ao lado.
Nao deu tempo de acabar todas as legendas!!!

(E sim,ontem era Barbadelo). Hoje o Gui e seu amigo caminharam um pouco menos, porque estava chovendo, então resolveram parar em Portomarin mesmo, após 18 kms de caminhada. Ele disse que está com mini bolhas, mas que tudo está bem. - e que deve aparecer por aqui mais tarde….

Gui, até aqui eu só quis te mostrar o que você já tinha realizado, que é o que importa… mas agora, a menos de 100km do final, eu imagino que você vá curtir ver o mini-trecho que falta…

Portomarin - Portomarin

… e no contexto geral:

Trecho inteiro - Trecho inteiro

É isso aí meu amor!! Desde já, parabéns pela conquista!!

Só para informar (mal) os fiéis leitores: o Gui ligou hoje, mas eu estava fora, e demorei a voltar para casa, então esqueci os nomes todos. Estava bem, mas tinha andado uns KMs a mais desnecessariamente - mas ainda ia andar mais um pouco nesta tarde. Se eu não me engano, parou hoje em Barbadelo (ou ligou de lá??).
Sim, eu sei, estou péssima hoje como repórter, mas o que conta é que ele está bem, na contagem regressiva para o final.

Bom fim de semana a todos!

Frase importante, que acho que nao escrevi no meio dos outros textos, e tem muito significado para tudo que escrevi:

ORA ET LABORA

(reza e trabalha)

Ou: usar o Segredo, Silva Mind Control, magia branca, reza braba e qualquer outra coisa positiva na mente para o que queremos é ótimo e nas minhas crencas, ajuda. Mas temos que seguir trabalhando para fazer acontecer também.

E, em tempo, muito bom o novo texto do Comentarista, neste post. E gostei muito de receber o comentário da Tassi!!! Fala pro Dani entrar no blog também sim!

[]s
Gui

Um pequeno poema que me surgiu na cabeca estes dias, e precisava escrever para prestar essa homenagem a essa figura que se tornou tao importante na minha vida, aqui no Caminho…

Leiam atentamente, e tentem entender meus sentimentos:

Insidiosa e provocante,
surge e me surpreende, de repente.

Rocando minhas roupas e tocando minha pele,
mexendo de um lado para o outro,
como que querendo se esconder de mim.

As cocegas tomam conta do meu corpo,
com cutucoes, arranhoes, me fazem ofegante.

Tento me desvencilhar e me concentrar,
mas seu contato é cada vez mais intenso,
sofro ansioso como artista no camarim.

Por fim,
nao resisto mais à tentacao.

Grito a plenos pulmoes para o mundo ouvir,
cheio de vontade, plena e resoluta:
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
SAI DA MINHA BOTA,
PEDRINHA FILHA DA PUTA!!!

Perdoem pelas rimas pobres, mas nao podia deixar de transcrever essa pequena paródia que ficou na minha cabeca com tantas pedrinhas malditas que todos os dias cutucam meus pés por dentro das botas!!! E Chris, pode respirar tranquila agora hahaha! ;)

by Gui

Para alimentar a história sobre nosso estimado Comentarista Oculto (e hoje temos o comentário de Outro Amigo, o qual eu, obviamente, sei quem é, pelo seu email, mas voces que nao tem acesso a esta info, continuarao sem saber até que ele se revele rsrsrs), o que tenho a dizer é que toda boa trama tem seus conflitos e, principalmente, seu mistério. É por isso que novela faz tanto sucesso no Brasil, e todo mundo assiste todo dia pra ver as cenas do próximo capítulo e ficar com o gostinho de quero mais.

Entao eu, obviamente, como um dos principais autores desta trama que é meu blog (e com certeza nao o único, como O Comentarista já bem apontou! Quanto mais colaborativo for este blog, melhor, entao, mais comentários!), nao posso estragar o suspense. Temos algumas opcoes já elencadas pelo próprio sujeito oculto, e outras tantas…

Por exemplo, pode ser o Paulo Coelho, que gostou tanto do meu blog que quis comentar, mas nao pode se identificar;

Ou entao o próprio Felipe Marx, este bastardo amigo que está sumido há tanto tempo e nao comentou até hoje, pode ter assumido um alter-ego e por vergonha de sua falta prévia, tenha se identificado assim para amenizar a demora a comentar por aqui;

Até mesmo poderia ser o camera-man que me acompanha aqui, no melhor estilo Goulart de Andrade (”VEM COMIGO!”) que voces já aprenderam a apreciar nos meus vídeos, e por isso mesmo reclama de sua própria qualidade de filmagem!

Além de todo esse suspense em torno da identidade deste personagem ao mesmo tempo enigmático e inspirador, temos os conflitos que ele comecou a trazer, como as reclamacoes sobre minhas descricoes fotograficas. É com os conflitos que as tramas se tornam mais ricas, e ajudam o autor a elevar o nível da sua prosa.

Quem sabe… Fiquem ligados nos comerciais (ajudem a fazê-los, comentando ;) ) e aguardem as cenas do próximo capítulo rs.

Coisas que esqueci nos posts anteriores, curiosidades e afins:

- Sobre a contagem regressiva, outro pensamento meu ao entrar na Galicia, inevitável, foi de que agora já estamos quase em Santiago, isso porque já é a regiao onde fica a cidade. Mas a analogia que fiz na minha cabeca foi com a sensacao de quando estamos na Castelo Branco, pegando o acesso do Km 23: já nos sentimos em casa, apesar de ainda nao ter entrado pela porta. Mais ou menos o mesmo que comeca a passar pela cabeca agora, faltando tao poucos dias e Kms.

- Subi um novo video no YouTube com a subida ao monte da Cruz de Ferro, confiram pelo link aqui no blog (barra da direita). Fotos, tenho centenas novas, nao consegui separar pra subir, pois preciso diminuir o tamanho antes de mandar pro Flickr, e preferi usar meu tempo aqui escrevendo hoje. E tem mais vídeos também, inclusive da subida de hoje.

- Os monges franciscanos amarram seus hábitos com uma corda com 3 nós no final. Cada nó signfica um de seus votos como monge, para lembrarem-se deles todos os dias: Obediência, Castidade e Pobreza.

- No ritual de lava-pés da missa de ontem, o irmao franciscano comecou lavando o pé da primeira peregrina (foram 6 “voluntários” sentados à frente de todos, sem saber o que íamos fazer, só que era pra exemplificar a paz de Jesus), e depois cada um lavou o pé direito do próximo, para mostrar como Jesus fez com seus discípulos mesmo sabendo que eles o trairiam, demonstrando que temos que aceitar aos outros como eles sao, em paz. Foi um exercício muito tocante. E um tanto cômico no momento em que percebi que éramos 2 homens e 4 mulheres a fazer isso, e eu era o único que ia lavar o pé de outro homem. Ok, ok, melhor ainda pra exercitar a humildade. Mas na hora tive vontade de rir, ainda mais pq era o Henrik, que é atleta e tem um pé bem calejado :) Mas foi muito positivo.

- Hoje em O Cebreiro, encontrei uma paisagem que vinha meio que “esperando” há tempos: um mar de nuvens. Esperava pois vínhamos subindo montanhas várias vezes, e imaginava que em uma delas estaríamos acima da linha das nuvens, mas até hoje, nao tinha NENHUMA nuvem no céu, só quando entramos na Galicia é que elas reapareceram. E foi ótimo, pois vinha pensando muito numa frase do Ilusoes, livro que gosto muito, que diz algo parecido com (só sei o sentido, nao lembro das palavras): quando o céu parece escurecido pelas nuvens, devemos lembrar que acima delas sempre estará brilhando o sol; quando pudermos nos elevar acima das nuvens, veremos a luz e entederemos os desenhos que elas formam. Pai, aproveitando suas ótimas alegorias (gostei muito do texto sobre sagitário), se vc tiver aí as frases exatas a esse respeito, do Manual do Messias, manda um comment!

- Sincronia: cada vez mais, assuntos que temos pensado aqui, cada um de nós, sao levantados por outros logo em seguida. Inclusive a alegoria do meu pai, postada em comentário de ontem acho, pois ontem e anteontem estava conversando sobre signos e astrologia com meus amigos aqui!

- Nao lembro se já comentei mas no meio da provincia de León tinha vários lugares com casas surreais enfiadas dentro da terra, em colinas, pareciam vilas dos Hobbits (do Senhor dos Anéis, pra quem nao lembra ou nao conhece). Voces verao quando eu siubir novas fotos…

- Transicao: Ponferrada pra mim foi uma transicao entre Castilla y León e a Galicia, de fato. A cidade é interessante, mas é muito mais “turística”, pejorativamente falando, que León ou Burgos, apesar de ser tb uma cidade grande e histórica. Segundo meu guia (faz tempo que venho querendo postar alguma info do guia!), no século XI foi uma cidade importante no império romano por conta de minas de ouro na regiao, e continuou sendo nos reinados espanhóis devido à sua importância estratégica como acesso à Galícia. Mas enfim, apesar de toda a história que tem na cidade da Pons Ferrata (pois tinha uma ponte de madeira que foi reforcada com ferro), a cidade tem muitas construcoes modernas, e suburbios que me lembraram muito Alphaville, em um certo sentido, com casas grandes, bem construidas etc. As outras cidades grandes tinham mais personalidade, e mais autenticidade, a meu ver.

- Harmonia: nos últimos dias, nem tenho escutado música no meu ipod, durante as caminhadas. Os sons do caminho, incluindo aí até o ranger da mochila quando ela esquenta, sao ótimos… rios, pássaros, flores, árvores farfalhando, cachorros, vacas, galos (sempre atrasados! cantando depois que já estamos andando há horas… humpf)… muito bom. Continuo, todavia, usando ele todos os dias pra contar as distancias, tem sido muito útil!

- Separatismo: impressionante como todas as regioes culturais distintas da Espanha querem autonomia, pelo que vemos em pichacoes e mais pichacoes ao longo do Caminho. Nao só o País Basco, que é mais conhecido por causa da atuacao do ETA, mas já vi “Pais Llïones Llibre”, “Aqui é Galizia, independência”, todas as placas do caminho em Castilla y León com o Castilla pichado pra sumir da placa etc… nao sei como esse país continua inteiro!

- Gosto é gosto: as moscas tem o mundo inteiro para voar, mas estranhamente, uma grande parcela delas PREFERE voar num espaco tao reduzido e próximo ao nosso corpo… especificamente narinas, ouvidos, olhos e as vezes boca. Vai entender.

- Idéias: tenho visto tanta coisa bacana aqui pelo Caminho, nas casas e vilas, e algumas com significados legais, que provavelmente vou querer adaptar algumas para a nossa casa nova. Mas a Chris pode ficar tranquila que é tudo de bom gosto :) Por enquanto, só suspense (hehehe). Mas pra tranquilizar, o principal é que tenho pensado muito no jardim/horta para nossa casa, com o tanto de planta e fruta que tenho visto aqui. Ah, e conta pra D. Sirlei que ontem vi uns pés de couve que deviam ser maiores que a Amanda ;)

Para um PS, ficou meio longo, né? rsrsrs
Mas era um POST novo! ;)

Chegando quase ao fim desta jornada física (a espiritual apenas comecou), comecamos a pensar em tantas coisas ao mesmo tempo, sendo a última delas o quanto já andamos; o quanto ainda falta entra na lista das primeiras e, entre essas duas, (eu pelo menos) penso em casa, no que vou fazer da vida quando voltar, na saudades da Chris, do Paul, dos amigos e da família, e em outros desejos típicos de peregrino, a detalhar mais adiante.

Mas um dos sentimentos mais fortes nesse momento é o de proximidade da despedida deste nosso Universo Paralelo, para plagiar uma expressao daquele filme (pouco recomendado) “A Praia”, com o Leonardo di Caprio. O filme pode nao ser lá essas coisas, mas o conceito que ele conta no filme, com a foto de todos que viviam na tal praia, no final da história, com essas duas palavras escritas abaixo, descreve bem a nossa sensacao aqui como peregrinos. Vivemos uma vida completamente alheia ao nosso cotidiano tradicional, às nossas profissoes, famílias, conhecimentos e confortos usuais. Somos peregrinos, e essa palavra atualmente carrega um significado muito próprio e especial para descrever o que é a vida no Caminho, que quem já esteve aqui entende bem do que estou falando.

E apesar de todos os “perrengues” que passamos aqui, camelando horas por dia no vento frio e no sol, na lama e na poeira, no asfalto e na terra, dormindo muitas vezes em lugares de limpeza duvidosa, tomando banhos em temperaturas variáveis e/ou surreais (muitas vezes ambos juntos) e comendo “racao de peregrino”, tudo isso forma um esprit des corps comparável ao que (imagino eu) se tem no exército, na faculdade e em outras situacoes da nossa vida onde temos um convívio diário em torno de certas atividades que une as pessoas, e como numa “síndrome de Estocolmo” positiva, vemo-nos apegados à essa rotina maluca. Deixar os “irmaos à pé”, que é como venho pensando nos meus companheiros de Caminho, numa referência aos Brothers in Arms (Irmaos de Armas) da II Guerra, é um pensamento que já me deixa um pouco triste.

E isso nos leva ao primeiro título do post. Forrest Gump, o contador de histórias, um dia resolveu correr e nao conseguia parar mais. Assim cruzou os EUA e inspirou tanta gente. Chegando perto do final do Caminho, bate um espírito de Forrest Gump e dá vontade de nao parar mais de andar pelo mundo afora mesmo. Mas a saudades de casa aperta progressivamente conforme vai chegando cada vez mais perto da hora de voltar, e o outro pensamento que nos inspira é a letra da música, adaptada por mim, que já virou brincadeira de tradicao entre eu e o Henrik todas as manhas por aqui: “Let´s hit the road, Jack, and maybe comeback someday“. Agora, somos Jacks ;)

E assim, voltando ao que eu mesmo escrevi no comeco da viagem, temos que aceitar a impermanencia das coisas. O Caminho já vive em mim, na mente, no coracao e na alma, e com certeza irei fazer muitas coisas com relacao a isso, como por exemplo tentar voluntariar para dar palestras na Associacao de Amigos do Caminho para os novos peregrinos, uma maneira de compartilhar toda essa vivencia e retribuir esse espírito do Caminho com mais e mais gente conforme eu puder, ir além do blog. E com isso, deixar o Universo Paralelo em seu devido lugar, e tornar toda essa vivência, aí sim, universal na vida.

E para terminar, um comentário mais light sobre esses pensamentos - os desejos secretos dos peregrinos (rs). Sim, já faz pelo menos uma semana que conversamos aqui no Caminho sobre quais serao as primeiras coisas que vamos fazer ao voltar pra casa, o que queremos comer etc etc. E alguns temas recorrentes, além da estranheza de voltar a andar num carro e a saudades da familia e amigos, sao tomar um banho decente, pelo tempo que quiser, com água quente contínua; dormir na sua própria cama; lavar suas roupas direito - que maravilha! No meu caso, incluí também comer um belo churrasco, uma bela pizza paulistana e um japa (no KYOTO, claro! E preparem o Pedrinho que quero “importar” uma idéia espanhola pra ele aí, pra servir cerveja no verao rs); andar de pantufas uns 5 dias seguidos :) ; ir num mercado e comprar kilos e kilos de frutas baratas e deliciosas, e também comer um sanduba de queijo quente na padaria… ahhhh que saudades!!!

E na outra mao, as esquisitices peregrinas que vao ficar “embutidas” em nós em vamos sair fazendo inconscientemente (rs) - essas vocês só vao entender melhor quando eu estiver por aí contando pessoalmente as histórias, ou quem já peregrinou :) : chegar na casa dos amigos e perguntar se tem cozinha, ou quanto custa pra dormir; levantar da cama de manha com a mochila nas costas levando dentro a garrafa de água e uma fruta pra cozinha, junto com a roupa pra acabar de se trocar na área; entrar em todos os bares pra perguntar se tem fruta e zumo de naraja expremida, e outras tantas coisas do nosso Universo Paralelo :)

É isso aí. Let´s keep walking ;)
Valeu por todos os comentários e emails, está cada vez melhor este blog! (mas isso é assunto para ainda OOOOUTRO post…)

[]s peregrinos
Gui

O título do post nao se refere só ao tempo e distancia restantes, 1 semana no máximo, mas também aos marcos de pedra que passamos a encontrar no Caminho dentro da Galicia. A cada 500m há um marco sinalizando quantos Km faltam a Santiago, já que aqui entramos na casa dos 150 restantes, e agora aqui em Triacastela acho que faltam uns 128km.

Na verdade pensava nisso durante o Caminho e como, na verdade, desde que comecei o Caminho estou em contagem regressiva, mesmo antes de vir. Estamos sempre com os minutos correndo e trazendo mais perto a nossa próxima etapa, no Caminho e na vida. Todos nós estamos em contagem regressiva para a morte, isso é certo. Só que nao nos damos conta disso, e por isso talvez nem sempre aproveitemos bem o dia de hoje como deveríamos. Aqui no Caminho, a contagem regressiva comecou no primeiro dia, cada dia passado é um dia a menos para chegar, mas ela fica mais evidente agora, no trecho final desta jornada, pois o objetivo se tangibiliza mais claro na mente, é sentido mais próximo.

Creio que o mesmo se passa com quem tem experiências sérias de doencas ou acidentes, e “vê” a morte de perto. De repente, a reta final aparece ali, muito próxima. E essas pessoas costumam passar a viver mais intensamente, mais conscientes que o relógio continua descrescendo nossos minutos por aqui, inexoravelmente. Talvez se tivermos mais consciência disso, sem precisar do trauma, todos passemos a viver melhor cada dia, aproveitando realmente, fazendo algo útil, algo que ajude a construir nossos sonhos, e assim nao “viveremos esperando dias melhores”, como disse a música.

E ontem, em La Faba, um lugar encantador no Caminho, no meio da subida a O Cebreiro, fiquei num albergue cuidado pela Associacao Alema de Amigos do Caminho, onde havia junto uma capela, e as 20h participamos de uma missa franciscana. Veio um monge, um “irmao”, no traje típico marrom de S. Francisco, muito simpático, e celebrou uma comunhao entre os peregrinos com muito significado e compartilhamento. Isso porque nossas duas amigas, Anne Claire e Jacinthe, o ajudaram a traduzir a missa toda do Espanhol para o Frances e para o Ingles, e também participamos como voluntários, nós 4 e mais 2 outros peregrinos, no ritual de lava-pés, além de várias pessoas contarem histórias que tiveram um significado para elas no Caminho, incluindo eu (com a minha teoria das “bolhas da vida”). Para o pessoal da web, posso dizer que foi uma missa realmente 2.0, colaborativa :)

O fato é que em um dado momento, ele pediu a todos para se levantarem e orarem o Pai Nosso, cada um em sua própria língua, ao redor do altar, e depois nos abracarmos a todos, pedindo por paz. A mensagem dele foi que nao basta só desejarmos a paz; na vida, assim como no Caminho, nao obtemos as coisas sentados esperando. Temos que levantar (a bunda da cadeira) e ir fazer o que é necessário. Caminante, no hay camino, se hace camino al andar.

Entao, o tempo nao espera por nós, temos que fazer o que queremos fazer hoje, agora. Comecar, para a mente se aquecer, e se empenhar, para que o trabalho seja completado. No excuses, mais atitudes. Como dizia um postal que vi por aqui, “nao sonhe sua vida; viva seu sonho.” Palavras simples mas cheias de significado, para pensar bastante se estamos indo nesse caminho e, principalmente, botar em prática. Como eu botei em prática minha vinda ao Caminho, e espero fazer com várias outras coisas, espero que a realizacao se torne uma segunda natureza na minha vida, hoje e sempre.

Para finalizar o post, devo dizer que a Galícia é especial de fato, e um lugar que eu DEFINITIVAMENTE quero voltar algum dia. Hoje entendo muito bem porque (pelo que ouvi dizer) o Paulo Coelho quer ser enterrado em O Cebreiro. O vilarejo em si é muito simpático, uma antiga vila celta, como já adiantou a Chris, assim como várias aqui da regiao. Mas o melhor é toda a regiao, a natureza, a paz que transmite, as paisagens, o canto dos passarinhos e dos grilos pelo caminho, o céu maravilhoso, as vacas gallegas pastando pelos campos com seus sinos no pescoco (me fez lembrar do Paul nenem!). E o curioso é que, por conta da tradicao celta, aqui inclusive a música (que ouvi) e, segundo soube hoje, as roupas típicas também, sao muito parecidas com as da irlanda e escócia, rolou uma certa dissonância cognitiva rs. Mas é show. E ouvir o povo falando gallego é muito curioso, pois é uma mistura de português com espanhol bem engracada.

Enfim, estou bem, atualmente sem bolhas, só com os músculos cansados, e amanha devo ir acho que a Gonzar, após Sarria. Vamos ver. O Caminho dirá ;)

Em outros posts, outras consideracoes, para nao misturar muitas coisas, e nao estender demais! rs

[]s peregrinos
Gui

« Página Anterior - Próxima Página »