Sex 7 Dez 2007
O amigo Odilon publicou um texto muito simpático em seu blog nesta quarta, e me fez pensar sobre uma passagem do Pequeno Príncipe que me chamou a atenção um tempo atrás e, desde então, acho muito pertinente para exemplificar o uso do bom senso no poder.
Aqui vai:

Porque o rei fazia questão fechada que sua autoridade fosse respeitada. Não tolerava desobediência. Era um monarca absoluto. Mas, como era muito bom, dava ordens razoáveis.(…)
- Majestade… sobre quem é que reinas?
- Sobre tudo, respondeu o rei, com uma grande simplicidade.
- Sobre tudo?
O rei, com um gesto discreto, designou seu planeta, os outros, e também as estrelas.
- Sobre tudo isso?
- Sobre tudo isso… respondeu o rei.
Pois ele não era apenas um monarca absoluto, era também um monarca universal.
- E as estrelas vos obedecem?
- Sem dúvida, disse o rei. Obedecem prontamente. Eu não tolero indisciplina.
Um tal poder maravilhou o principezinho. Se ele fosse detentor do mesmo, teria podido assistir, não a quarenta e quatro, mas a setenta e dois, ou mesmo a cem, ou mesmo a duzentos pores-do-sol no mesmo dia, sem precisar sequer afastar a cadeira! E como se sentisse um pouco triste à lembrança do seu pequeno planeta abandonado, ousou solicitar do rei uma graça:
- Eu desejava ver um pôr-do-sol… Fazei-me esse favor. Ordenai ao sol que se ponha…
- Se eu ordenasse a meu general voar de uma flor a outra como borboleta, ou escrever uma tragédia, ou transformar-se em gaivota, e o general não executasse a ordem recebida, quem - ele ou eu - estaria errado?
- Vós, respondeu com firmeza o principezinho.
- Exato. É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar, replicou o rei. A autoridade repousa sobre a razão. Se ordenares a teu povo que ele se lance ao mar, farão todos revolução. Eu tenho o direito de exigir obediência porque minhas ordens são razoáveis.
- E meu pôr-do-sol? lembrou o principezinho, que nunca esquecia a pergunta que houvesse formulado.
- Teu pôr-do-sol, tu o terás. Eu o exigirei. Mas eu esperarei, na minha ciência de governo, que as condições sejam favoráveis.
- Quando serão? indagou o principezinho.
- Hem? respondeu o rei, que consultou inicialmente um grosso calendário. Será lá por volta de… por volta de sete horas e quarenta, esta noite. E tu verás como sou bem obedecido.
Além de simpático, o texto serve para boas reflexões de muita gente por aí! Em especial ali no meio do país…
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Dezembro 7th, 2007 at 21:05
Muito bom o texto. Só que para ter o efeito desejado, ali no meio do país, precisava que pelo menos alguns não fossem analfabetos funcionais. A diferença entre a sabedoria e a esperteza.
Dezembro 8th, 2007 at 19:29
Peço desculpas por entrar no seu blog ,mas não resisti ao ver suas refrências sobre o pequeno príncipe,todas as crianças deveriam começar por este livro sua formação cultural.Abraços.
Dezembro 10th, 2007 at 08:37
Odilon, pois é, realmente é uma tristeza pensar nisso, mas temos que continuar pensando que as coisas podem ser melhores, caso contrário, só nos resta pegar as maletas e dar o fora!