guievowilson2 - Presente do seu última Natal, em 2007
Velho guerreiro, hoje você foi dispensado da sua missão, como você mesmo vinha dizendo. Está liberado e, esperamos todos nós, em paz e tranquilo agora, sem o sofrimento dos últimos tempos de batalha aguerrida. Mas, como disse o Luiz, durante todo esse tempo você continuou firme na luta, como sempre fez com tudo na vida, e deixou seu exemplo de vida para seus netos, desde mim que fui o primogênito, até o Vini, seu caçula, passando por todos os outros - Gabo, Sergio, Isa e todo o resto da família também. E, claro, não só por esse momento, mas pelo conjunto da tua obra.

Espero poder te dar ainda muito orgulho pra você acompanhar aí de cima, e ser digno da tua história, sempre.

Queria fazer algo solene para o nosso herói, e achei essa canção no site da tua saudosa FEB pra te homenagear, ainda que virtualmente, nesse momento, por toda tua garra, desde a época da Guerra até o fim da vida. Estamos tristes pela tua partida, pela saudades que está deixando, mas temos todos a certeza que você ficará muito bem onde quer que esteja, seguindo teu caminho.

Ao meu avô, hoje e sempre saudoso coronel Wilson Mazzola, que faça em paz o caminho de volta ao teu lar eterrno. Pode se orgulhar de tudo que fez.

Canção da Volta do Expedicionário
Adaptação do original pelo professor Osmar Barbosa

Você sabe de onde eu venho?
É do livre desempenho
que cumpri por meu Brasil.
Venho da terra européia
trazendo escrita a Odisséia
na altivez do meu fuzil.
Venho dos campos nevados
onde deixei sepultados
os meus irmãos tropicais,
dormido após a vitória
o eterno sono da glória,
na glória imortal da paz.

Você sabe de onde eu venho?
É de uma pátria que eu tenho
no fundo da cicatriz.
venho dos ermos ferinos,
do sopé dos Apeninos,
onde lutei como quis.
Venho do Pó calmo e belo,
do alto do Monte Castelo,
de onde expulsei o alemão.
Venho da frente mais forte,
trazendo, ao vencer a morte,
o Brasil no coração.

Venho da terra estrangeira
onde a raça brasileira
deu lição de amor e fé.
Venho da fria montanha,
do vasto sul de Bolonha,
de Roma, da Santa Sé.
Comigo trago a saudade,
a honra de minha nação.
Trago os troféus da batalha,
a eloqüência da metralha
na minha ardente emoção.

Venho do chão libertado,
do solo estranho lavado
no sangue de meus irmãos,
da bravura sertaneja,
do Coliseu da peleja,
do rubro altar dos cristãos,
da cruzada americana
para o calor da choupana,
para os verdes estendais,
conquistando após a guerra
o meu pedaço de terra,
terra santa de meus pais.

Por mais lutas que eu passasse
permitiu Deus que eu voltasse
para o meu torrão natal.
Quero enfim a paz paterna,
encontrar na unção materna
a ternura divinal.
Volto sereno e feliz
aos carinhos de meu lar,
satisfeito do que fiz
do outro lado do mar,
pois meu coração me diz quanto
me devo orgulhar.


Keep walking, vô. Segue teu caminho em paz.
Te amamos.

(1 minuto de silêncio)



em tempo: a quem interessar possa, o velório será nessa sexta, dia 18/01, pela manhã, no cemitério Getsêmani do Morumbi, e o enterro lá também às 15h.

Ainda em tempo: obrigado a todos que manifestaram seu apoio e sentimentos hoje e nos últimos dias. Valeu mesmo, de coração.