Escritos


Demorou, mas saiu… :)

Para saber mais, veja aqui os capítulos: 1 (com a explicação da confraria), 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8 e 9.


Apertou novamente o botao para o 8o. andar. Precisava agora certificar-se de que o quarto de Marian não apresentava vestígios de sua passagem por ali, com seus “colegas”. A subida rápida do elevador moderno lhe dava um certo desconforto, em contraste com a calma que sentia por dentro, mesmo diante do que estavam por realizar.

Hans Eismann, ex-agente da Stasi, a polícia secreta da falecida Alemanha Oriental, tinha profundas olheiras e um olhar que, apesar de parecer sempre distante, era extramente atento ao que acontecia ao seu redor. Fruto, claro, de seu treinamento opressivo, da constante paranóia pela sobrevivência que lhe era imputada dentro da organização. Após a queda do muro e o desmantelamento de quase todo o aparato que dava sentido à sua vida de serviços dedicados à nação, Hans tinha se sentido muito deslocado no que chamavam de “nova ordem mundial”. Viveu na obscuridade por algum tempo até que o destino o colocou no mesmo trem que aquele homem elegante, que viria a dar uma nova razão para sua existência, dando oportunidade de usar novamente tudo que sua mente e corpo haviam sido programados para fazer.

Após sua meticulosa inspeção do quarto, calçando suas indefectíveis luvas de couro que o acompanhavam há tantos anos, decidiu que já era seguro o suficiente para fazer a ligação. Usando o celular clonado, começou a discar o número marcado no pequeno cartão de papel pardo: +41 044 411 7117. Quando atenderam, ficou surpreso por constatar o destino de sua ligação, mas resolveu não pensar nem questionar a orientação que havia recebido. Apenas seguiu seu protocolo ao ouvir a saudação:

- Delegacia Municipal de Zurique, boa noite, em que posso ajudá-lo?
- Quem fala?, perguntou em seu estilo rude.
- Karl Zweifelhafte, pois não?

Hans checou o verso do cartão para verificar se era este o contato correto.

- Karl, boa noite. Gostaria de saber alguém pediu uma pizza de tomate?

Reconhecendo a senha que também lhe havia sido instruída, o atendente respondeu conforme o script:

- Não tenho certeza, o senhor pode me dizer se é tomate com alho ou com azeitonas?
- Meu pedido diz tomate com alecrim, respondeu Hans, completando a sequência de contrasenhas. Agora estavam certos de que os interlocutores eram os corretos.
- Creio que tenha me confundido, então. Quanto tempo para entregarem a pizza?
- Como são 5 km, creio que não mais que 10 minutos - esta era uma notação pré-combinada para informar que o tempo seria de pouco mais de 5 horas.
- Muito obrigado. Vou avisar aos colegas. Boa noite.

E assim desligaram o telefone. O plano estava em ação, e o patrão ficaria sabendo do andamento em breve. Nas próximas horas, seus dois colegas chegariam com Marian à cidade suiça, após pegar o envelope combinado em Stuttgart, e Jackeline deveria também estar voltando de seu pequeno passeio até a França.

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Após ter acordado tarde, ainda se sentindo cansado, Robert abriu a porta de sua cabana e encontrou um exemplar do matutino de Lyon. Achou um tanto estranho, pois apesar de ser a metrópole mais próxima de onde estava, ainda assim era a vários quilômetros dali, e por isso só lhe chegavam os jornais de Châtillon. Mas ao ler o destaque logo abaixo da notícia principal, entendeu o motivo pelo qual aquele exemplar estava em suas mãos.

Suas mãos tremeram levemente ao ler as palavras:

Assassinato misterioso reproduz ficção
Polícia de Vonnas investiga a estranha morte de uma mulher ocorrida ontem a noite, apresentando incríveis coincidências com romance policial de famoso escritor britânico. Phillipot Jusferme, responsável pelo caso, afirmou que o caso será tratado com extremo rigor, dadas as peculiaridades do crime.

Veja mais na página C-1

Suando frio, nem conseguiu virar para a página com a matéria completa, e deixou o jornal cair no chão, desmontando-se todo. Precisava falar com Marian, a qualquer custo.


Agora é com a Chris! ;)

Várias penas - Várias idéias diferentes...
Dando sequência à Confraria Literária proposta entre alguns amigos (e já abandonada de cara pela Amiga Relapsa, que não fez sua lição de casa!), assumo eu a tarefa de prosseguir com a história…

Para saber mais sobre o que é a brincadeira e ler o primeiro capítulo, acesse o link acima.

Por enquanto está em fase “beta” ;) mas se tiver interesse de participar, deixe um comentário aqui no post!

Lá vamos…



Capítulo 2

A algumas horas de trem dali, no coração da Alemanha, Marian voltava da reunião no grande prédio envidraçado. Tinha sido sua primeira grande apresentação pelo escritório, e o projeto havia sido preparado e revisado por ela própria por noites a fio, considerando a importância deste cliente. Ganhar a concorrência para a construção deste novo hotel na cidade representaria um grande passo em sua carreira, e faria valer a pena todo o sacrifício que vinha fazendo em sua vida pessoal. Estava satisfeita com a reação às suas idéias ousadas para o visual da obra, e muito ansiosa em saber se ganhara ou não a conta. Ainda deveria permanecer no país mais 3 dias, até que anunciassem o resultado final, e caso seu escritório fosse o escolhido, deveria fazer uma nova reunião imediatamente após a divulgação. Exausta após todo o stress e noites mal dormidas, nem se lembrou que deveria ter retornado a ligação de seu namorado, que deixara um recado bastante desconexo em seu celular. Só pensava em chegar ao hotel e descansar, enfim.

No caminho, viu um bar com boa pinta e mudou de idéia, pensando que seria bom parar e tomar algo enquanto digeria todas as dúvidas em sua mente, ainda estava muito agitada. “Nada de mais”, imaginou, “tomo apenas um ou dois drinques para ajudar minha cabeça a relaxar junto com meu corpo, e logo vou dormir”. Mandou o taxista parar, pagou a corrida e entrou no bar apressadamente, analisando as pessoas à sua volta e os poucos lugares livres para se sentar. Por fim, escolheu um banco na ponta do balcão, perto de um casal também jovem e com boa aparência. Pareciam modelos, foi o que passou em sua cabeça, e ato contínuo pediu seu drinque favorito, um Rusty Nail. Nem fazia idéia do que lhe aguardava naquela noite.


Chris, agora a bola fica contigo! Os outros amigos estão muito relapsos para chamar qualquer deles para seguir adiante com o texto…